AMOR EM EXCESSO

Amor em Excesso, de Eliza Haywood, foi um best-seller no século XVIII na Europa.

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Na lista dos 1001 livros para ler antes de morrer

 A obra-prima de Eliza Haywood (1693 –1756), traz certo conde chamado D’Elmont, um dissoluto (mulherengo) e, como o título diz, amor (eros) em excesso. Poderia ser considerado um Cinquenta Tons de Cinzas do século XVIII e, por ter sido muito avançadinho para a época, causou enorme polêmica em Londres. Assim como o Pamela de Samuel Richardson, vinte anos depois, que foi proibido pela Igreja Católica (Index Librorum Prohibitorum). Mas Pamela perto de Amor em Excesso pode ser considerado um livro casto.

O PLOT

A trama gira em torno do casamento, obviamente, e do sexo. Atraído para o casamento pela astúcia e pelo dinheiro de uma rica dama, o conde D’Elmont descobre seu erro quando não era mais possível corrigi-lo. Devasso, ele não acreditava no amor, que dizia que era uma fraqueza, uma doença que ele esperava jamais contrair. Mas, quando seu antigo tutor, Monsieur Frankville, que está à beira da morte, implora a D’Elmont que cuide de sua filha, Melliora, até então enclausurada em um mosteiro, ele percebe o erro que havia cometido. Ao conhecer Melliora, D’Elmont descobre que fora contaminado pela tal “doença”. Devastado, descobre que o amor é uma moléstia incurável, e que ele terá que conviver com ela como purgatório por seu passado devasso. Amor em Excesso traz emoção com sobra, mas o livro é exclusivo para assinates do clube de assinatura da Pedrazul.

OBRA-PRIMA DA AUTORA

Amor em Excesso, serializado nos anos de 1719–1720, é o romance mais conhecido de Eliza Haywood. Ele detalha as aventuras amorosas do conde D’Elmont, um libertino francês que foge do casamento. Ao voltar para Paris, após ser o responsável pelo desfecho de uma guerra que trouxe a paz, D’Elmont é recebido como herói e adorado pelas damas. Uma dessas damas é a rica Alovisa, que se apaixona por ele e arma toda espécie de ardil para poder conquistá-lo, mas D’Elmont só tem amor por sua ambição. Na ânsia de se casar com D’Elmont, Alovisa envia várias cartas anônimas para ele, e em uma delas combina um encontro em um baile, ao qual ela não compareceu. Achando que a doce Amena era a autora das cartas, D’Elmont se aproxima dela e a conquista.

QUEM FOI ELIZA HAYWOOD?

Eliza Haywood (1693 –1756), nascida Elizabeth Fowler, foi uma prolífica escritora inglesa de romances românticos sensacionais, que espelhavam os escândalos contemporâneos do século XVIII. Ela era conhecida em sua época como “a grande árbitra da paixão” e descrita como “prolífica mesmo para os padrões de uma época prolífica”. Haywood escreveu e publicou mais de setenta obras durante sua vida, incluindo ficção, drama, traduções, poesias, literatura de conduta e periódicos. Haywood foi uma figura significativa do século XVIII e, junto com Samuel Richardson, ajudou a traçar as bases para o romance inglês que conhecemos. Entre suas obras estão: A história de Miss Betsy (1751), que inspirou Frances Burney com Evelina; e A história de Jemmy e Jenny Jessamy (1753). Amor em excesso foi um grande best-seller em sua época, passando por várias reedições nos quatro anos seguintes à sua publicação inicial.

“A GRANDE ÁRBITRA DA PAIXÃO

Breve biografia

Um poema de 1725, de James Sterling, elogiou Eliza Haywood como a “grande árbitra da paixão” e veremos o porquê dessa frase. Haywood era intensa, apaixonada, liberal, defensora da paixão e do amor, e sua obra Amor em excesso é um exemplo disso. Trata-se de um romance poderoso, que não navega nas ondas do amor Ágape, mas sim nas ondas do amor Eros: “O desejo não respeita a prudência, despreza o perigo e ignora até as impossibilidades!”

Em Amor em excesso, Haywood traz um personagem que, a princípio, está mais para Robert Lovelace, um libertino aristocrático do romance epistolar Clarissa (1747–1748), de Samuel Richardson (1689–1761), do que um mocinho a que o leitor está habituado. Este personagem é o conde D’Elmont, um herói de guerra e aristocrata francês, apaixonado e extremamente intenso, que o leitor vai amar ou odiar; ou odiar e amar, como muitos amaram e odiaram o personagem Mr. B–– de Pamela (1740–1761), também de Richardson. Em algumas partes cheguei a pensar que a intenção da autora, quando escreveu Amor em excesso, era transformá-lo em uma peça de teatro, daquele tipo que vimos tantas vezes escrito para a plateia inglesa do século XVIII. Entretanto, trata-se de uma novela.

Erotismo

Antes de fazer um paralelo entre a literatura Georgiana e Vitoriana – séculos XVIII e XIX – em termos de liberalidade sexual, falarei um pouco sobre a autora que, junto com Samuel Richardson, foi responsável pelo erotismo em suas obras.

Que Haywood foi uma figura significativa do século XVIII todos sabemos, mas pouco se sabe sobre ela, pois a própria autora deu relatos conflitantes sobre sua vida; suas origens permanecem obscuras e atualmente existem versões diferentes de sua biografia. Por exemplo, acreditava-se, erroneamente, que ela se casou com o Rev. Valentine Haywood. Entretanto, alguns detalhes são amplamente aceitos: ela provavelmente nasceu em Shropshire, Inglaterra. Sua primeira entrada no registro público é em Dublin, na Irlanda, em 1715, quando foi listada como “Mrs. Haywood” na adaptação de Shakespeare de Thomas Shadwell, Timon of Athens. Ela teve um relacionamento aberto com William Hatchett, pai de seu segundo filho. Ela também teve um filho com Richard Savage. William Hatchett era um livreiro que dividia uma carreira nos palcos com Haywood, e eles foram amantes e companheiros por mais de vinte anos.

A carreira de escritora de Haywood começou em 1719 com Amor em excesso, e terminou no ano em que ela morreu com os livros de conduta A esposa e o marido e o periódico quinzenal A jovem senhora. Ela escreveu em vários gêneros e muitas de suas obras foram publicadas anonimamente. Há muita coisa da carreira de Haywood que ainda permanece desconhecida. Ela adoeceu em outubro de 1755 e morreu em 25 de fevereiro de 1756; foi enterrada em Westminster. Por razões desconhecidas, seu enterro foi adiado em cerca de uma semana e seus deveres de morte permanecem não pagos.

A prolífica ficção de Eliza Haywood se desenvolveu a partir de romances excitantes, durante o início da década de 1720, para obras focadas mais nos “direitos e posição das mulheres”, no final da década de 1720 até a década de 1730. Nos romances intermediários de sua carreira, as mulheres eram presas, atormentadas e assediadas por homens dominadores, um exemplo que Samuel Richardson explorou em suas obras Pamela e Clarissa. Nos romances posteriores das décadas de 1740 e 1750, no entanto, o casamento era visto como uma situação positiva em suas obras.

Devido à forma de remuneração dos autores no século XVIII, seus romances costumavam ter vários volumes. Os autores eram pagos apenas uma vez por um livro e não recebiam royalties; um segundo volume significava um segundo pagamento. Mas o erotismo predominou em suas obras. Fantomina; or Love in a Maze (1724) é um conto sobre uma mulher que assume os papéis de prostituta, empregada, viúva e senhora para seduzir repetidamente um homem chamado Beauplaisir. Segundo Schofield, um dos seus biógrafos, “ela satisfez suas próprias inclinações sexuais”. Este romance afirma que as mulheres têm algum acesso ao poder na esfera social, um dos temas recorrentes na obra de Haywood. A força da linguagem e Os doces do amor, traduções livres de obras de Eliza Haywood, foram inspirados na erótica leitura de Clarissa, de Samuel Richardson. Declarações de que a ficção possuía o poder de despertar o leitor para uma forma de prazer sexual permeavam as divulgações do romance no século XVIII.

INTRODUÇÃO

A edição da Pedrazul traz uma introdução detalhada sobre a autora e uma comprovação de que o século XVIII foi muito mais liberal em sua literatura que o século XIX, isso falando da literatura inglesa, obviamente.

“Há tempos, por um feeling em minhas leituras de clássicos, especialmente os ingleses, venho percebendo que a literatura do século XVIII era muito mais erotizada que a do século XIX, que, a meu ver, é bastante casta. Já havia notado isso com livros de Samuel Richardson, Pamela, por exemplo, incluído no Índice dos Livros Proibidos (Index Librorum Prohibitorum), uma lista criada pelo Papa contendo os nomes dos livros que os católicos não estavam autorizados a ler por serem, segundo eles, anticlericais ou lascivos; e, obviamente, Clarissa, do mesmo autor – sobre o qual falarei bastante –, já que é considerado um dos principais exemplos de literatura erótica do século XVIII, depois de Fanny Hill, ou memórias de uma mulher do prazer – este publicado pela primeira vez em 1748. Fanny Hill foi escrito enquanto a autora estava na prisão de devedores em Londres, e é a história de uma cortesã idosa que olha para trás e conta abertamente sua vida escandalosa. O livro enfureceu o clero britânico e os censores após sua publicação”, o texto continua, é extenso, portanto, impossível citá-lo.

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